O CENTAURO IMPERIAL E O “PARTIDO” DOS ENGENHEIROS

O CENTAURO imperial e o “partido” dos engenheiros: A contribuição das concepções gramscianas para a noção de Estado ampliado no Brasil Império

Pedro Eduardo Mesquita de Monteiro Marinho

Museu de Astronomia e Ciências Afins / PPGH - UNIRIO

“Quem passa na Avenida, à tarde, ali, no canto dela com a Rua Sete de Setembro, encontra um portão largo, que, em arquitetura, tem um nome especial e duro, cheio de velhos gamenhos, derretidos em sorrisos para as mulheres que passam. Esses velhos aos quais se juntam alguns moços, ainda mais gamenhos, são engenheiros ou cousa parecida, e o lugar, a casa, o portão – tudo isso é o Clube de Engenharia. É uma instituição ainda pior do que a Associação Comercial. É nela que se fazem, se ultimam, se homologam as maiores vergonhas administrativas do Brasil.”                                                                                                            Lima Barreto

Continuar lendo

GRAMSCI PARA HISTORIADORES

Gramsci para historiadores[1]

Ricardo Salles

Escola de História – UNIRIO

Grupo Gramsci e a Modernidade

 

Esse título é uma alusão ao livro do historiador e psicanalista Peter Gay, Freud para historiadores (GAY, 1989). No caso de Gay, sua tentativa foi a de considerar as possibilidades de utilização de um quadro teórico disciplinar, ou ao menos de um conjunto de seus conceitos, procedimentos, temas e resultados significativos, aquele da psicanálise freudiana, em um outro campo disciplinar, o da História.[2] No caso de Gramsci, argumentarei que seu o esforço intelectual em seus Cadernos do cárcere foi o de desenvolver um quadro teórico, um conjunto de conceitos, procedimentos, buscando obter uma série de resultados significativos, no campo disciplinar da História. Seguirei, nessa colocação, o caminho aberto por Alberto Burgio, em seu Gramsci storico (Gramsci historiador), que considera que os Cadernos do cárcere contêm um grande livro de história da Europa burguesa ou moderna (BURGIO, 2002).

Continuar lendo

FILOSOFIA DA PRÁXIS

Por Nicola Badaloni

O conceito de “práxis”, como agir individual e social, está no centro de toda a filosofia inaugurada por Karl Marx e pelo seu modo de abordar os problemas da produção e da ciência. Nos chamados Manuscritos econômico-filosóficos de 1844, que Gramsci não teve a possibilidade de conhecer, Marx escrevia: “Assim como a sociedade produz o homem enquanto homem, ela é produzida por ele”. Essa idéia de que a “produção” ou “práxis humana” engloba não apenas o trabalho, mas também todas as atividades que se objetivam em relações sociais, instituições, carecimentos, ciência, arte, etc., atravessa todo o pensamento de Marx e constitui o seu princípio fundamental.

Continuar lendo

GRAMSCI E A “SUBIDA AO SÓTÃO” DA FILOSOFIA DA PRÁXIS

Por Marco Mondaini 

Os estudiosos e integrantes da “Escola dos Annales” - o movimento marcadamente francês, nascido em 1929, que revolucionou a historiografia tradicional e construiu a “História Nova” - costumam observar uma significativa transformação ocorrida em seu seio durante os anos 60 e 70. O interesse intelectual dos seguidores de Marc Bloch, Lucien Febvre (primeira geração) e Fernand Braudel (segunda geração) transferiu-se das análises socioeconômicas para aquelas político-ideológicas. Os historiadores da sua terceira geração abandonaram o “porão” da história econômica e subiram até o “sótão” da história cultural [1].

Continuar lendo

PARA VER EL SIGLO XXI CON LA LENTE DE GRAMSCI

Por Alberto Burgio

Para seguir conmemorando el septuagésimo aniversario de la muerte de Antonio Gramsci,publicamos un fragmento del volumen Por Gramsci. Crisis y potencialidad de lo moderno, que acaba de publicar en italiano el estudioso de Gramsci Alberto Burgio. El  liberalismo como respuesta restauradora ante la expansión de los derechos del trabajo. No ha sido una salida al siglo XX. Las sociedades occidentales se encuentran metidas de lleno aún en una clásica “revolución pasiva”, que sin embargo “no ha logrado una normalización del paisaje político”

Continuar lendo